Escrever é uma necessidade na medida em que o anonimato vai me transformando em ninguém. Busco a escrita na esperança de que o leitor consiga sobrepor esse abismo que nos separa. Não sei formatar o que escrevo na estrutura do gênero literário e o meu pensamento não consegue encontrar um gênero coerente com a poesia ou a prosa. Talvez este seja um ensaio. Ensaio no sentido teatral da palavra. O que estiver escrito aqui um dia se transformará em algo. Neste momento escrevo porque minha imaginação vagueia como um fantasma órfão de pai. Minha mente é uma neblina, uma nuvem que não se concretiza e o leitor não poderá tocar o que eu penso. Não penso nada de mais. Penso que escrever pressupõe algo a se acrescentar ao leitor que consome informações e eu sou uma pessoa com a cabeça oca, eneblinada por pensamentos imperfeitos sobre o que é a mulher que seduz, a morte que seduz e esse abismo que existe entre o que estou a pensar e o leitor que não se arrisca a pensar sobre o quão é importante pensar em nada.
Veja esta neblina. Veja a nuvem. Você vê a forma, a cor que se adensa, mas se tocar a neblina, a nuvem, não poderá tatear o vapor como coisa concreta. A nuvem, a neblina e eu somos esse nada. O ensaio é de Ninguém. Pouco me importa se isto é loucura. Não peço perdão aos neuróticos se isto é esquizofrenia ou resultado de uma viagem de Êxtase.
O leitor não existe. Existe o contra-leitor que segura minhas mãos para que eu não escreva nada. Para que esta insignificância não cause o mal estar que a civilização transforma em material bélico.
Ensaio para que esta neblina repouse sobre o papel e minha cabeça fique mais leve. A neblina tem peso e densidade. Se é substancial ou utilitária...? Não é. Sinto muito. Não sou escrava de ninguém. Escrevo o que quero e quando quero. E digo mais: não preciso de disciplina para dizer que escrevo. Escrevo agora o que o leitor quer ouvir: estou escrevendo o que me dá na telha.
O capitalismo tem me feito muito mal. O comunismo ruiu com os ataques contra o direito de expressão. Não há ideologia que alguém possa sustentar neste mundo. Eu mesma não me sustento com a minha escrita.
O que são os direitos autorais de alguém que é Ninguém. Escrevo para sobreviver ao ócio que é pensar constantemente em algo vago que é a morte, a mulher, o míssil, a morte, o psiquiatra ou a prostituta.
Sei lá para que escrevi isto aqui. Isto pode, quem sabe, bagunçar o coreto harmônico das narrativas coesas e determinadas. Isto é um nada. O nada me absorve e eu adoeço e morro todos os dias. A mim me bastaria um olhar ou quase nada. O que será isto, meu deus?
Veja esta neblina. Veja a nuvem. Você vê a forma, a cor que se adensa, mas se tocar a neblina, a nuvem, não poderá tatear o vapor como coisa concreta. A nuvem, a neblina e eu somos esse nada. O ensaio é de Ninguém. Pouco me importa se isto é loucura. Não peço perdão aos neuróticos se isto é esquizofrenia ou resultado de uma viagem de Êxtase.
O leitor não existe. Existe o contra-leitor que segura minhas mãos para que eu não escreva nada. Para que esta insignificância não cause o mal estar que a civilização transforma em material bélico.
Ensaio para que esta neblina repouse sobre o papel e minha cabeça fique mais leve. A neblina tem peso e densidade. Se é substancial ou utilitária...? Não é. Sinto muito. Não sou escrava de ninguém. Escrevo o que quero e quando quero. E digo mais: não preciso de disciplina para dizer que escrevo. Escrevo agora o que o leitor quer ouvir: estou escrevendo o que me dá na telha.
O capitalismo tem me feito muito mal. O comunismo ruiu com os ataques contra o direito de expressão. Não há ideologia que alguém possa sustentar neste mundo. Eu mesma não me sustento com a minha escrita.
O que são os direitos autorais de alguém que é Ninguém. Escrevo para sobreviver ao ócio que é pensar constantemente em algo vago que é a morte, a mulher, o míssil, a morte, o psiquiatra ou a prostituta.
Sei lá para que escrevi isto aqui. Isto pode, quem sabe, bagunçar o coreto harmônico das narrativas coesas e determinadas. Isto é um nada. O nada me absorve e eu adoeço e morro todos os dias. A mim me bastaria um olhar ou quase nada. O que será isto, meu deus?

