Mais uma vez enveredo madrugada afora. Mas desta vez mais leve. Não sei se pelo efeito de um champagne e de uma amiga que há tempos não encontrava que atravessa esta insônia perto de mim; mas hoje o silêncio que meu ouvido escuta não é pesado. A chuva torna a madrugada lírica na cidade de Belo Horizonte onde todo mundo lê alguma coisa (ou quase todo mundo) entre montanhas e se diz falando para as paredes:
- Nó! Mas que delícia essa chuvinha...
O dia foi abafado e nublado. Quase sofri. Mas a noite trouxe a surpresa de um re-encontro com uma amiga que anda como muitos de nós: essa corda bamba sem sombrinha. É difícil ter tempo para os amigos. Nada posso a acrescentar quanto a isto do que diz o lirismo que está na letra de Sinal Fechado de Paulinho da Viola.
E na conversa adiada ouvi desta amiga sobre outros amigos que não me esqueceram. Estou feliz porque soube que há gente que sabe do quanto eu valho. Embora eu quase não veja essas pessoas há anos, soube que elas ainda lembram meu nome de difícil dicção.
Não sei se o difícil é entender alguém que não se inseriu no sistema ou se a amizade se perde na precariedade inerente a vida. Sou eu a escrever (e isto é vagabundear) enquanto o que tem valor é o trabalho tecnocrata que move a roda capitalista. Papo de maluco? Prefiro a loucura de ouvir este silêncio que é o nada do que ser alguém cujos humores variam de acordo com a oscilação da bolsa de valores. Muitos há que são assim. Os mineiros são, em muitos casos, poetas loucos embriagados. Quantos bares há nesta capital das montanhas! Há até estatística para provar o quanto é preciso de pontos de encontros boêmios para os mineiros.
Hoje sei que a insanidade é normal e frutífera. Não me apavoram os que me querem impingir o rótulo da tal “bipolaridade” de que os psiquiatras tanto precisam.
A insanidade está em querer colocar aqui um ponto final. Esta crônica é como a vida. Terminará quando eu morrer.

Berê, o dia seguinte já me espera na sua prontidão de horas marcadas. Da madrugada antes intensa - ora surpresas, ora angústias - deste medo do inesperado, nostalgia revisitada. Quero todas as loucas, bipolares, vagabundas com horas a preencher.
ResponderExcluirDelas é meu espírito o seguidor.