quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Silêncio em Branco

A cidade está cheia de gente nos bares e festas vivendo o tão esperado sábado. O trabalho mental que exerço durante a semana não corresponde ao calendário das pessoas comuns. Não estou mais nos bares aos sábados porque não deixo de elaborar meu pensamento inquieto porque há uma mesa, porque o efeito do álcool faz as pessoas falarem sem escolher as palavras ou o tema do que se fala, do que se tagarela nas noites de lazer que a cidade oferece. Já me cansei dos sábados porque o ambiente dos bares e o efeito da bebida não me faz frear esta busca solitária que muitos conseguem apaziguar (alguns nem sabem o que é isto) com drogas lícitas e ilícitas no delírio de se sentirem cercados de “bons companheiros”.

Fico em casa e escrevo a não sei quem. Digo que não sei a quem escrevo porque não sei se o que preciso colocar nestas linhas é passível de significação. Aliás, sei que o que preciso escrever é significante e é o silêncio que ouço com a curiosidade de um adolescente que acaba de descobrir, ao olhar para uma mulher bonita, seu desejo que desabrocha; ou como o mútsico erudito que encontra na música contemporânea que vem de seu instrumento a frase revelada como algo inusitado.

Ouço o silêncio dos meus pensamentos que são fragmentos, são arte abstrata sem forma e sem significação. Não procuro nem mesmo a harmonia porque a realidade é bruta.

Então, a quem interessa ler o que escrevo em um tempo em que quando algo não tem um sentido de auto-ajuda ou do THE END do Best seller (que é o resultado de uma trama estruturada que cria problemas banais e oferece a solução no estase do final) não tem a cumplicidade de um leitor (a). Será que não quero escrever nada que não seja minha louca desestrutura sem receita de argumento ou estilo?

Não.Eu quero o estilo do que se escuta do silêncio e da falta do significado que revela um signo que passa desapercebido, mas é o sumo da vida.

Guardo esta pedra bruta porque sei o quanto valem meus pensamentos desconexos. Sei a intensidade do que penso e a densidade do que desejo.

Publico isto neste blog e imagino que serei tomada por louca ou por alguém que nada tem a dizer. Mas o que digo é o silêncio, o que não significa. O que digo é esta página em branco que se segue e me persegue pelo que há na realidade da vida real que atordoa.

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