Muitas são as formas existentes de um ser humano exercer o poder. Um deles é o poder que alguns têm de fazer esperar. Talvez a desesperança seja pior, mas a espera longa, muitas vezes termina em um bolo, um silêncio e a ausência da recompensa pelo ato de esperar.
A espera pode ser pouco ousada e há também quem espere por "nada". Quanto àqueles que esperam que este escrito seja útil, estes são os que vão elogiar apenas os cânones literários. Alguns recorrem a formas que têm como suporte jornais, revista ou livros que são respaldados pela crítica literária e transitam nos circuitos culturais. Enquanto há para poucos estes jornais e revistas cults, para os outros milhares que escrevem ainda no papel de caderno com seu talento invisível e, portanto, irreconhecível, estes ficam submissos aos autores da moda.
A espera pode ser pouco ousada e há também quem espere por "nada". Quanto àqueles que esperam que este escrito seja útil, estes são os que vão elogiar apenas os cânones literários. Alguns recorrem a formas que têm como suporte jornais, revista ou livros que são respaldados pela crítica literária e transitam nos circuitos culturais. Enquanto há para poucos estes jornais e revistas cults, para os outros milhares que escrevem ainda no papel de caderno com seu talento invisível e, portanto, irreconhecível, estes ficam submissos aos autores da moda.
A submissão se consuma em esperar ser o Outro cujas idéias são a imagem que se espera de um ser de conhecimento superior, um "notório saber".Outro modo, entre vários que há algures, é o poder que algumas pessoas exercem sobre o seu semelhante humano para fazer este segundo esperar. Há o relógio, uma hora marcada, um que não se atrasa porque está em posição inferior à daquele que faz este primeiro esperar sob qualquer pretexto.
Há muitos modos de esperar. Pode haver o modo de esperar uma menságem, a frenética espera da correspondência de um flerte... Há a palavra esperança até para os enfermos desenganados. Para os doentes de dor da alma, há a esperança de que os maus dias passem e o futuro chegue logo, trazendo o que a esperança promete: o alívio da dor de angústia.
Há também a espera de que um trabalho que foi iniciado termine com uma realização. Este tipo de espera pode piorar quando o olhar invisível por trás de quem trabalha, o tal Deus que todo mundo sabe (o ser superior que nos impinge a perfeição), seja este o Deus de qual nome ou religião tiver, Este nos impede de realizar sem aflição o trabalho feito e terminado no tempo e na qualidade possível. Mas ainda assim buscamos aflitos o impossível trabalho perfeito, a obra prima de Pica asso.
Esta seria uma carta de amor se houvesse a quem endereçá-la. Mas escrevo porque espero e penso a esperança e o esperar. Espero por quê? Por tudo. Pelo amor, pelo perfeito, pelo trabalho reconhecido e também por nada. Espero que o relógio ande e o dia de amanhã seja mais sereno do que esta aflição do que está porvir. Porque eu pressinto no silêncio o que é o porvir. Ouço os passos de um desconhecido e não sei o que ele quer. Pode ser um romance ou uma ilusão. Pode ser um contrato ou uma falsa promessa. Mas ouço os passos na rua de quem está me fazendo esperar por algo que não sei o que é. Sei que é algo que preciso saber o que é. Nem sei se é bom ou ruim. Mas é algo que espero há muito tempo.

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